quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A importância do desenho técnico na indústria moveleira

Tema: A importância do desenho técnico na indústria moveleira.
Professor Orientador: Fabio Redin do Nascimento
Autores: Edgar Didomenico, Douglas Zanchin.

Resumo.
Mostrar a importância do desenho técnico e as possibilidades que ele oferece é o tema do presente trabalho. O estudo propõe a interpretação dos meios como o desenho técnico e a construção de projetos na área moveleira contribuem para produzir com qualidade em consonância com todos os segmentos da empresa, dando ênfase a comunicação entre os pares. A estreita relação entre produção e projeto tem como método pesquisas bibliográficas, sites, periódicos e interpretações. Resulta na trilogia projeto, comunicação e produto, trazendo em seu contexto o desenho técnico e a gama de possibilidades que o mesmo oferece.
Palavras-chave: Desenho técnico, projeto, comunicação.

Abstract
Demonstrate the importance of technnical design and the possibilities it offers is the theme of this work.The study proposes an interpretation of the media as the technical design and construction of projects in furniture help to produce quality in line with all segments of the company emphasizing communication between paris.A close relationship between design and production method has as literature searches,websites journals and interpretations.Results in the Trilogy project, communication and product, brining their context in the technical design and the range of possibilities that it offers.
Keywords:Technicaldrawing, design, communication.

Introdução.
A arte de representar um objeto ou fazer sua leitura por meio do Desenho Técnico é muito importante para o Engenheiro e o Projetista, visto que ele fornece todas as informações precisas e necessárias para a construção de uma peça. Assim, o Desenho Técnico surgiu da necessidade de representar com precisão, no caso desse trabalho, móveis, porém é ampla sua utilização como; máquinas, peças, ferramentas e outros instrumentos de trabalho.
A finalidade principal do Desenho Técnico é a representação precisa, no plano, das formas do mundo material e, portanto, tridimensional, de modo a possibilitar a reconstituição espacial das mesmas.
Assim, constitui-se no único meio conciso exato e inequívoco para comunicar a forma dos objetos; daí sua importância na tecnologia, face à notória dificuldade da linguagem escrita ao tentar a descrição da forma, apesar da riqueza de outras informações que essa linguagem possa proporcionar.
A precisão proporcionada pelo desenho técnico obedece a normas internacionais, não são leis, porém obedecidas para que o produto final esteja dentro de um padrão específico.
Pode-se observar na visita realizada a empresa Finger Moveis Planejados à importância da sua utilização, percebendo que a comunicação entre desenhista e executor do projeto também tem que acontecer de maneira clara e concisa, para que o produto final realmente seja fiel ao projeto e esteja dentro das normas.

Revisão bibliográfica
Geometria Descritiva.
No séc. XVIII, Gaspard Monge (1746-1818) formulou as regras da Geometria Descritiva, enquanto ciência, generalizando os métodos introduzidos pelos artistas do Renascimento e apresentando, de forma sistematizada, os diversos métodos de representação rigorosa, no plano do desenho que tinham sido abordados de forma dispersa até então.
Ele introduziu em 1795 dois planos perpendiculares entre si para a descrição gráfica de objetos sólidos. Também desenvolveu um método para aplicação da geometria aos problemas da construção, métodos e descobertas de muito valor para a contemporaneidade.
Segundo a revista Ciência Hoje (2005)
A geometria descritiva dispõe de métodos e procedimentos que permitem caracterizar elementos, dimensões e propriedades de qualquer figura geométrica do espaço a partir de suas projeções cilíndricas ortogonais.

É uma ciência que estuda os métodos de representação gráfica das figuras espaciais sobre um plano. Resolve problemas como: construção de vistas, obtenção das verdadeiras grandezas de cada face do objeto através de métodos descritivos e também a construção de protótipos do objeto representado.
A geometria descritiva dispõe de métodos e procedimentos que permitem caracterizar elementos, dimensões e propriedades de qualquer figura geométrica do espaço a partir de suas projeções cilíndricas ortogonais. Ela fornece ao desenho técnico a base geométrica do estudo das relações espaciais que as formas tridimensionais apresentam em projeção, não visando expressivamente à solução de problemas técnicos. Mas é o desenho técnico que concretiza no plano do desenho, a descrição rigorosa das formas dos objetos, como meio de comunicação entre quem os projeta e quem os fabrica ou constrói.
A geometria descritiva utiliza da épura para representar objetos. A imagem do objeto é projetada em um plano por linhas de fuga ortogonais, a chamada projeção ortogonal. A projeção pode ser dada nos planos principais da épura ou em planos auxiliares.
Após a projeção, as imagens são rebatidas para o plano do "papel", formando as vistas do objeto. Observa-se que as vistas são alinhadas entre si, no qual uma pessoa pode perceber sua posição relativa.
A geometria descritiva serve como base teórica para o desenho técnico, permitindo a construção de vistas auxiliares, cortes, rebatimentos e interseções de planos e sólidos.
Desenho Técnico.
Segundo historiadores, as primeiras representações de desenho com finalidades técnicas foram executadas pelos egípcios. O primeiro projeto de uma construção que se tem documentos é de um forte projetado pelos caldeus 2000 a.C. Segundo Cunha,2004 “os romanos se utilizaram dessas ferramentas para seus edifícios, aquedutos, fortalezas, etc”. Mesmo com poucos documentos existentes, é improvável que as grandes construções da humanidade tenham sido executadas sem um planejamento prévio.
Para um leigo ou uma pessoa que não domina a interpretação dos códigos, o desenho técnico possui uma linguagem bastante confusa, pois representa linhas onde não existem (arestas dos objetos) e não representa graficamente os materiais que deverão ser utilizados.
Lincho (1996, p. 42) define Desenho Técnico como:
Desenho não artístico, subordinado a uma série de normas e convenções que lhe são pertinentes. Elaborado com a finalidade de reproduzir graficamente e com a máxima fidelidade objetos existentes ou projetados e consequentemente, normalmente acompanhados, além da representação do objeto em si, de uma série de informações técnicas complementares (desenhos projetivos) ou também executado com a finalidade de mostrar variações, eventos, correspondência ou outros elementos técnicos de forma não projetiva (desenhos não projetivos).

O desenho técnico tem diversas aplicações. “Segundo Cunha (2004), “além do uso na mecânica enfatizado na sua obra, são utilizados desenhos deste tipo para arquitetura, topografia, cartografia, canalizações, eletrotécnica, construção naval e aeronáutica e desenho de mobiliário ou para marcenaria”.
A finalidade principal do Desenho Técnico é a representação precisa, no plano, das formas do mundo material e, portanto, tridimensional, de modo a possibilitar a reconstituição espacial das mesmas.
Como afirma Rosado (2005, p.03)
Assim, constitui-se no único meio conciso exato e inequívoco para comunicar a forma dos objetos; daí sua importância na tecnologia, face à notória dificuldade da linguagem escrita ao tentar a descrição da forma, apesar da riqueza de outras informações que essa linguagem possa veicular.

Portanto, vários são os requisitos e formas de utilizar o desenho técnico, isto envolve uma constante busca de novos conhecimentos e um olhar sistemático não só no que é pertinente ao desenho e sim do todo.

Normas que regulamentam o desenho técnico.
Para transformar o desenho técnico em uma linguagem gráfica foi necessário padronizar seus procedimentos de representação gráfica. Essa padronização é feita por meio de normas técnicas, seguidas e respeitadas internacionalmente. As normas técnicas são resultantes do esforço cooperativo dos interessados em estabelecer códigos técnicos que regulem relações entre produtores e consumidores, engenheiros, empreiteiros e clientes.
Cada país elabora suas normas técnicas e estas são acatadas em todo o seu território por todos os que estão ligados, direta ou indiretamente, a este setor. No Brasil as normas são aprovadas e editadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, fundada em 1940. Para favorecer o desenvolvimento da padronização internacional e facilitar o intercâmbio de produtos e serviços entre as nações, os órgãos responsáveis pela normalização em cada país, reunidos em Londres, criaram em 1947 a Organização Internacional de Normalização (International Organization for Standardization – ISO).
Quando uma norma técnica proposta por qualquer país membro é aprovada por todos os países que compõem a ISO, essa norma é organizada e editada como norma internacional. As normas técnicas que regulam o desenho técnico são normas editadas pela ABNT, registradas pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) como normas brasileiras NBR e estão em consonância com as normas internacionais aprovadas pela ISO.
Segundo o site http://www.eel.usp.br/na_apostila/pdf/capitulo1.pdf
Os procedimentos para execução de desenhos técnicos aparecem em normas gerais que abordam desde a denominação e classificação dos desenhos até as formas de representação gráfica, como é o caso da NBR 5984 – Norma geral de desenho técnico (Antiga NB 8) e da NBR 6402 execução de desenhos técnicos de máquinas e estruturas (Antiga NB 13), bem como em normas específicas que tratam os assuntos separadamente, conforme os seguintes exemplos:
• NBR 10647 – Desenho técnico– Norma geral, cujo objetivo é definir os termos empregados em desenho técnico. A norma define os tipos de desenhos quanto aos seus aspectos geométricos (Desenho Projetivo e Não- Projetivo), quanto ao grau de elaboração (Esboço, Desenho Preliminar e Definitivo), quanto ao grau de pormenorização (Desenho de Detalhes e Conjuntos) e quanto à técnica de execução (À mão livre ou utilizando computador)
• NBR 10068 – folha de desenho lay-out e dimensões, cujo objetivo é padronizar as dimensões das folhas utilizadas na execução de desenhos técnicos e definir seu lay-out com suas respectivas margens e legenda.
• NBR 10582 – apresentação da folha de desenho técnico, que normaliza a distribuição do espaço da folha de desenho, definindo a área para texto, o espaço para desenho etc.. Como regra geral deve-se organizar os desenhos distribuídos na folha, de modo a ocupar toda a área, e organizar os textos acima da legenda junto à margem direita, ou à esquerda da legenda logo acima da margem inferior.
• NBR 13142 – desenho técnico – dobramento de cópias, que fixa a forma de dobramento de todos os formatos de folhas de desenho: para facilitar a fixação em pastas, eles são dobrados até as dimensões do formato A4.
• NBR 8402 – execução de caracteres para a escrita em desenho técnico que, visando à uniformidade e à legibilidade para evitar prejuízos na clareza do desenho e evitar a possibilidade de interpretações erradas, fixou as características de escrita em desenhos técnicas.
Uma consulta aos catálogos da ABNT mostrará muitas outras normas vinculadas à execução de algum tipo ou alguma especificidade de desenho técnico.
A implantação do desenho técnico na produção da empresa Finger Moveis Planejados.
Ao serem questionados os acadêmicos de Engenharia de Produção sobre a importância do desenho técnico para o desenvolvimento do produto final eles responderam:

Garante qualidade, exatidão, garantia de satisfação do cliente garante uma boa comunicação tendo uma linguagem única de todos os funcionários do setor, garante padronização.

Apesar de saber que o desenho técnico realmente proporciona estas vantagens o processo para atingir este nível de comunicação é complexo.
A separação das atividades de planejamento das atividades de produção possibilita a participação de diversos profissionais especialmente no planejamento que envolve basicamente conhecimentos sobre formas de expressão gráfica e desenho.
Segundo Tybusch, (2009, p.20)
O problema surge quando estes profissionais entendem que o único atributo necessário para atuar na elaboração de representações gráficas é o domínio de alguma forma de desenho ou, atualmente, o domínio das ferramentas de software gráfico disponível no mercado.

Desconhecer os materiais (matéria-prima, ferragens, acessórios e componentes) e os processos produtivos utilizados fatalmente induzirá em falhas nas representações gráficas que, consequentemente, produzirão seus reflexos nos custos do produto final.
Outro fator que dificulta o processo é a comunicação entre desenhista e produção, que ocorre principalmente por meio de representações gráficas denominadas de “desenho ou projeto” destinadas a orientar a produção do mobiliário representado. Além disso, existe a dificuldade por parte da produção de entender a linguagem técnica utilizada nas representações gráficas destinadas a orientar o processo produtivo de mobiliário, pois estes profissionais em sua grande maioria possuem conhecimento tácito.
Citando novamente Tybusch, 2009 “estes fatos resultam, consequentemente, no comprometimento do processo produtivo, causando elevação dos custos financeiros e humanos além de comprometer a qualidade do produto final”.
Outra questão da entrevista foi relacionada à criatividade dos desenhos para futuros móveis, o entrevistado respondeu:
Os desenhos são criados a partir das peças que já são produzidas pela empresa como os desenhos vieram após as peças foram baseadas sobre as mesmas.

Diante a esta resposta considerando que esta empresa trabalha com móveis planejados a inovação faz parte do seu planejamento, levando em conta segundo Back (1983, p. 38) “os requisitos de projeto envolvem a demanda, função, aparência e custos do produto”.
Neste tipo de negócio é comum que as novidades lançadas por uma determinada empresa difundem-se no mercado, e outras empresas, desde que detentoras das tecnologias necessárias, passam a produzi-las.
No caso específico da empresa em questão a informação obtida de que para criar novos desenhos (reproduzir) basta ter conhecimento do programa CAD. Percebe-se que não é tão simples assim, móvel fazem parte do dia-a-dia do ser humano, este, com anseios, emoções, enfim um ser também subjetivo envolto em seu meio.
Como explica Lazzarato,( 2001, p. 45):
Se o produto é definido com a intervenção do consumidor, e está, portanto, em permanente evolução, torna-se então sempre mais difícil definir as normas de produção dos serviços e estabelecer uma medida objetiva da produtividade.

Portanto criar, copiar produtos para atender a demanda exige muito mais do que simples conhecimento de um software, é preciso uma visão global e senso crítica para que exista uma harmonia entre empresa, produto e consumidor.

Conclusão.

O presente trabalho nos mostrou que o desenho técnico pode ser definido em três palavras, precisão, facilidade e comunicação.
Na indústria moveleira, ele serve como base para qualquer resultado concreto. Qualquer ideia de móvel ou qualquer outro produto requer a aplicação do desenho técnico para que se conceba a sua fabricação.
Durante as observações e visitas pode-se perceber que na empresa em questão a comunicação entre projetista e mão de obra é excelente, várias pessoas que trabalham na montagem dos móveis tem conhecimento da linguagem técnica empregada nos desenhos.
Assim como a fala, o desenho técnico é um meio de comunicação imprescindível para a concretização de um projeto técnico. Através dele, o projetista consegue se expressar, afim de que o móvel seja montado corretamente, atendendo a demanda do cliente.
Outro fator relevante é o desenvolvimento do trabalho em consonâncias com todos os segmentos da empresa, partem do pressuposto que projeto mão de obra, materiais, custos e evitar desperdícios com certeza é a fórmula que leva a empresa ter lucros.
A normatização é seguida, porque assim os produtos são aceitos em qualquer mercado com garantia de qualidade e dando ao produto final a garantia de forte concorrente, com grandes chances de uma boa aceitação.

Referências

Artigo da revista Ciência Hoje novembro de 2005 - pag. 49-51
BACK, Nelson. Metodologia de projeto de produtos industriais. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1983.
CUNHA, Luis Veiga da. Desenho técnico. 13. ed. rev. e atual. Lisboa:Fundação Caloust Gulbenkian, 2004.
LAZZARATO, Maurizio. Trabalho imaterial: formas de vida e produção de subjetividade. Rio de Janeiro: DP&A, 2001
LINCHO, Paulo Renato Pinto. A terminologia para o desenho de arquitetura. Pelotas: UFPel, 1996. ROSADO, Víctor O. Gamarra; Desenho técnico: fundamentos teóricos e introdução ao CAD. Universidade estadual Paulista/ Faculdade de Engenharia São Paulo: 2005.
TYBUSCH, Gerson Augé. A comunicação entre arquitetos e marceneiros: o Desenho Técnico e a Terminologia como vetores do processo produtivo do setor mobiliário sob medida/Gerson AugéTybusch.; orientadora Lígia Maria Arruda Café. – Florianópolis, 2009.174f
http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenho acessado em 25/10/10
http://www.ige.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/article/viewFile/408/283 acessado 25/10/10
http://www.feg.unesp.br/~victor/Apostila%20DTB1_01_09.pdf acessado 25/10/10
http://cascavel.cpd.ufsm.br/tede/tde_arquivos/12/TDE-2009-08-20T144435Z- 2192/Publico/LISBOA,%20MARIA%20DA%20GRACA%20PORTELA.pdf
http://tede.biblioteca.ucg.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=14
http://www.eel.usp.br/na_apostila/pdf/capitulo1.pdf acessado em 21/10/2010
http://www.eel.usp.br/na_apostila/pdf/capitulo1.pdf acessado em 21/10/2010





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